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Você lembra qual foi a última vez em que viu um vaga-lume?
Não muito tempo atrás, os vaga-lumes eram uma visão comum em noites de verão, iluminando os campos e florestas com suas luzes piscantes. Hoje, porém, estamos vendo um declínio alarmante na população desses insetos luminosos em escala global, segundo um estudo publicado por Sara M. Lewis et. al na revista BioScience. No Brasil, um artigo no portal O Eco cita o estudo liderado por Vadim Viviani, professor do Centro de Ciências e Tecnologias para a Sustentabilidade da Universidade Federal de São Carlos (CCTS-UFSCar), que revelou uma redução significativa na diversidade de vaga-lumes no Cerrado ao longo de 30 anos.
O estudo de Lewis identifica a perda de habitat e a fragmentação como a principal causa desse declínio. O desmatamento, a urbanização, a industrialização e a intensificação agrícola – acompanhada do uso crescente de pesticidas, herbicidas e fertilizantes – estão diretamente ligados à migração e à mortalidade desses insetos.
A segunda grande ameaça é a poluição luminosa noturna, que inclui fontes de iluminação direta, como chamas de gás em indústrias, postes de luz, arenas esportivas, letreiros comerciais e outdoors, além do skyglow, uma iluminação difusa que pode superar os níveis de uma noite de lua cheia e se espalhar muito além dos centros urbanos. Estudos revisados por Sofia M. Lewis e Avalon C.S. Owens demonstram que a luz artificial interfere na comunicação de cortejo dos vaga-lumes, dificultando sua reprodução.
Estamos em dezembro, época do ano em que as luzes piscantes de Natal iluminam núcleos urbanos e partes da zona rural. Embora seja uma celebração alegre, em minha opinião – e, de certa forma, fundamentado pelo estudo –, esse tipo de iluminação pode impactar profundamente o ciclo de reprodução dos vaga-lumes, ao replicar padrões luminosos que podem confundi-los ou dificultar a comunicação entre eles.
O uso de pesticidas é outro fator crítico de ameaça citado pelo estudo. Esses insetos são afetados em todas as fases de vida, desde larvas, que passam meses ou anos se desenvolvendo no solo ou em ambientes aquáticos, até adultos, expostos a resíduos em plantas, folhagens e presas contaminadas.
Outros fatores apontados incluem poluição da água, turismo descontrolado, coleta excessiva desses insetos e mudanças climáticas. Para preservar esses fascinantes insetos, o estudo recomenda a conservação de habitats naturais, o controle do uso de luz artificial à noite, a redução do uso de inseticidas e diretrizes para turismo sustentável.
Cabe a nós, humanos, os principais causadores desse fenômeno, decidir o que fazer se quisermos proteger esses fascinantes insetos e garantir que as futuras gerações ainda possam apreciar seu brilho encantador.