O Medo que Nos Define

Há momentos em que uma simples estatística nos revela verdades incômodas sobre nós mesmos. Foi o que aconteceu no dia 15 de julho, quando apresentei aos empresários reunidos na sede do Sicredi de Conselheiro Lafaiete os sete erros mais comuns que sabotam a inovação nas empresas. Entre todos, um se destacou com a força de uma revelação: o medo do fracasso.

Material autoral.

Não se trata de uma peculiaridade do empreendedor novato, aquele que ainda tateia no escuro em busca de seu primeiro cliente. O medo do fracasso é democrático em sua crueldade — permeia cada decisão estratégica, cada novo projeto, cada contratação ou demissão, cada investimento que pode determinar o futuro de um negócio.

“E se eu tivesse tentado?” “E se eu tivesse sido mais corajosa?” “E se eu tivesse seguido aquele projeto?” Esses questionamentos se transformam em lamentos para quem escolhe a segurança do conhecido em detrimento da possibilidade do novo. Mas há uma verdade que precisamos enfrentar: o maior fracasso não está em errar, mas em desistir antes mesmo de tentar.

Este medo se manifesta de formas tão variadas quanto sofisticadas: o receio de abrir as portas e descobrir que o mundo não estava esperando por nosso produto; a angústia de começar e constatar que nossa competência não corresponde à nossa autoconfiança; o pavor de fechar mais um mês no vermelho; o terror silencioso de precisar voltar ao emprego formal, trocando a liberdade pela segurança do salário; o medo de falhar diante dos outros e, talvez o mais devastador, o medo de mostrar nossa vulnerabilidade.

Durante aquela palestra, compartilhei uma experiência pessoal que ilustra precisamente como o medo de expor nossos erros pode perpetuar ciclos destrutivos. Certa vez, quando ocupava o cargo de diretora de inovação, tornei-me vítima de um golpe pela internet e perdi dez mil reais. A dor financeira foi significativa, mas o que mais me marcou foi a observação do policial ao registrar o boletim de ocorrência.

“Por aqui já passaram advogados, promotores, renomados juízes”, disse ele com a naturalidade de quem já viu essa história se repetir inúmeras vezes. “Sabe o que todos têm em comum? Nenhum deles conta. Mas todos nós, uma hora, cairemos num golpe. A verdade é que as pessoas não admitem, e por isso os ladrões continuam fazendo vítimas.”

Saí dali com uma decisão: contaria para todo mundo o que havia acontecido. Fui repreendida por algumas pessoas que alertaram sobre os possíveis danos à minha imagem. Mas ao compartilhar minha experiência, descobri algo revelador: diversos conhecidos haviam caído em golpes ainda piores, perdido carros, valores muito superiores aos meus. Contudo, preferiram o silêncio.

O medo de expor o erro os fazia calar. E esse silêncio alimenta um ciclo perverso de impunidade. Quando não falamos sobre nossos erros, fortalecemos quem nos prejudica, enfraquecemos quem poderia aprender com nosso relato e perpetuamos a cultura do medo que nos paralisa.

No empreendedorismo, essa dinâmica se repete com frequência alarmante. Quantos deixam de testar um produto inovador porque têm medo de falhar publicamente? Quantos permanecem presos a modelos de negócio ineficazes por medo de mudar e perder tudo? Quantos vivem assombrados pelo fantasma do “e se”?

É notável como aqueles que já fecharam empresas, perderam dinheiro ou tiveram de recomeçar do zero quase sempre afirmam: “Eu faria tudo de novo.” Fariam com mais planejamento, menos erros, mais estratégia. Mas fariam. Porque descobriram que o arrependimento pelo que não foi tentado é infinitamente mais doloroso que o aprendizado extraído do erro.

Hoje, retomo minha presença empreendedora, meus conteúdos e projetos com uma convicção ainda mais sólida. Não porque me considere isenta de medo — seria ingenuidade —, mas porque compreendo que o medo sempre existirá. A diferença fundamental está em como agimos apesar dele.

Hoje enquanto empreendedora, essa escritora que vos fala, tema empresa A Marys Consultoria em Negócios & Inovação, e, ouso a afirmar que é, e será a cada dia mais, um sucesso, não porque sou imune às falhas, mas porque cada falha será transformada em aprendizado, método e estratégia para o próximo passo. Porque entendi que empreender é, antes de tudo, ter clareza sobre riscos, assumir responsabilidades e aceitar que errar faz parte integrante do processo.

É não permitir que o medo do fracasso se torne maior que o desejo de realização. É compreender que, no final, não somos definidos pelos erros que cometemos, mas pela coragem de levantarmos e tentarmos novamente. E isso, por si só, já é uma vitória.

Seguiremos juntos, caros leitores, sobretudo, empreendedores, nesta jornada em busca do tão sonhado sucesso.

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