Observatório Político de Ouro Branco
por Graci Marques*
2025 começou, em Brasília, com o Congresso sob novo comando. E a eleição das presidências da Câmara dos Deputados e do Senado definem os rumos do país nos próximos dois anos e são decisivos para as eleições de 2026.
Os dois papéis dão nuances importantes ao cenário político brasileiro. E eu vou te explicar o porquê. Esta semana, vou falar da Câmara dos Deputados e seus desafios.
O cenário hoje
O que temos hoje é um Executivo refém do Centrão e de uma Câmara rachada, focada numa disputa ideológica vazia e que foi comandada por um líder que centrou o mandato nas trocas por cargos e benefícios e defendia o orçamento secreto. No Senado, o diálogo era maior e mais qualificado, mas ainda há uma disputa ideológica.
Motta: jovem e articulador
O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) assumiu a Câmara com apoio do próprio Arthur Lira. Presidente da Câmara mais jovem da história (35 anos), tem o perfil mais técnico, conhecido por ser bastante pragmático e articulador. Representa o Centrão, mantém o grupo no comando da Casa e a influência de Lira.
De perfil discreto, tem forte atuação nos bastidores e transita bem entre todas as correntes políticas. Tem uma certa proximidade com o governo federal e isso indica uma tendência de colaboração e harmonia entre Executivo e Legislativo.
Vai precisar usar bastante da negociação e provar essa habilidade para administrar a disputa entre governo e oposição sem perder a governabilidade. Motta costuma ser menos embativo e mais dialogador e propõe trazer mais tranquilidade ao legislativo. Foi eleito com ampla maioria, com 444 dos 513 votos, significativos 86,5%.
Independência e diálogo: será?
Na eleição, conseguiu apoio de todas as alas, do PT ao PL e outros 16 partidos. Na posse, Motta ressaltou a importância da independência e harmonia entre os poderes e se comprometeu a manter um diálogo constante com o Executivo e o Judiciário.
E destacou a necessidade de uma pauta legislativa que promova a estabilidade econômica e social do país. A dúvida é se realmente vai apostar no diálogo ou se vai repetir a prática do orçamento secreto e emendas de relator, mantendo o controle do governo sob a troca de apoio.
O sucessor de Lira
Motta sucede Arthur Lira (PP-AL), um dos políticos mais influentes da última década. E ocupa a vaga com apoio do ex-presidente. Lira é um político poderoso, conhecido pelo pulso firme e comandou a Câmara com embates diretos com o governo Lula e apoio público a Bolsonaro.
Sua gestão foi marcada por seu perfil de negociador, sempre cobrando cargos, favores e benefícios em troca do avanço de pautas e propostas de interesse do Executivo. Fica para a história como um líder agressivo e defensor do orçamento secreto, que navegou bem nas crises e garantiu as suas vitórias.
O grande desafio
Além da independência e de uma forte agenda legislativa, o maior desafio de Motta será a governabilidade. Será equilibrar a disputa de narrativas para mobilizar os deputados em defesa de políticas necessárias e avançar propostas concretas no plenário.
Entre os projetos, a expectativa é votar o Orçamento, a Minirreforma Eleitoral e as mudanças nas regras das eleições, a reforma da previdência dos militares, limitação dos supersalários e regulamentação das big techs. A maior dúvida é se ele vai pautar a proposta de anistia aos acusados e condenados pelas manifestações de 08 de janeiro de 2023.
*Graci Marques é especialista em Marketing Político e Planejamento Estratégico para mandatos. Assessora de Comunicação Política desde 2005, já trabalhou na Câmara dos Deputados, ALMG e nos Ministérios da Saúde e da Justiça.
*As opiniões emitidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Alto Paraopeba.
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