Enquanto fatura alto nos EUA, reduz presença no País e anuncia cortes de investimento
Com a entrada em vigor da alíquota de 50% a produtos brasileiros, a siderúrgica vive um dilema que chama a atenção e acende um alerta na cidade: enquanto lucra e expande sua atuação nos Estados Unidos, é obrigada a enxugar sua presença no Brasil, demitindo funcionários e reduzindo investimentos.
Segundo o CEO da empresa, Gustavo Werneck, o avanço do aço chinês no mercado nacional, com preços subsidiados e práticas comerciais desleais, tem causado mais danos aos negócios locais da Gerdau do que o “tarifaço” imposto pelo governo Trump às exportações brasileiras.
A participação do aço importado no mercado brasileiro subiu de menos de 11% para cerca de 30%. Isso compromete a competitividade das empresas locais. “Não tem sentido continuar investindo no Brasil, porque o governo não faz a proteção ideal do mercado”, afirmou Werneck, ao detalhar a reavaliação dos investimentos para os próximos anos.
Lucro recorde nos EUA e alívio com tarifas de Trump
A Gerdau apresentou um lucro líquido de R$ 864 milhões no segundo trimestre de 2025, um crescimento de 14% em relação ao primeiro trimestre, apesar da queda de 8,6% na comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são do balanço divulgado pelos executivos da empresa no dia 1º de agosto. A receita líquida da empresa teve alta de 5,5% na base anual, para R$17,5 bilhões. Com planta industrial nos Estados Unidos e operação local, a empresa se beneficiou diretamente do protecionismo americano.
Redução de investimentos e impacto social
Ao mesmo tempo em que anunciava a expansão de sua lucratividade nos EUA, a empresa informou a demissão de 1.500 trabalhadores entre janeiro e julho deste ano, nas unidades de Pindamonhangaba (SP) e Mogi das Cruzes (SP). Isso, um ano após o fechamento da operação em Barão de Cocais, que já causou preocupação nos mineiros. E não descarta uma nova onda de cortes.
A Gerdau manterá os R$ 6 bilhões de investimentos previstos para 2025, mas com maior foco no exterior, especialmente nos Estados Unidos. Deste valor, dois terços inicialmente estavam destinados ao Brasil. Werneck destacou que o ambiente nos EUA oferece “condições ideais” para os negócios da empresa, enquanto no Brasil o volume de aço importado aumenta rapidamente.
As demissões, somadas ao congelamento de futuros aportes, levantam preocupações sobre os impactos sociais e econômicos locais. A construção civil — responsável por 40% das vendas de aço da Gerdau no país — segue em ritmo de demanda, mas setores como o automotivo e de máquinas foram diretamente afetados pela nova política comercial americana.