Mês da Consciência Negra

O Brasil precisa valorizar figuras que fizeram nossa história

por Graci Marques

Dia 20 de novembro é feriado nacional do Dia da Consciência Negra. A data marca a morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares. Um feriado que quer celebrar personalidades apagadas da nossa História.

Este é o mês para trazer à luz o nome de tantas mulheres e homens que foram essenciais para o Brasil, mas que não faziam parte dos livros e registros históricos. E também que mudaram os rumos de todo o mundo.

Chico Rei, Anastácia, Machado de Assis, Nelson Mandela, Bob Marley já são conhecidos. Mas é preciso falar mais de Abdias do Nascimento, Zeferina, Maria Felipa de Oliveira, Maria Firmino dos Reis, Luiz Gama, Mãe Menininha do Gantois, José do Nascimento e tantas outras pessoas.

Pelo mundo afora, Angela Davies, Michelle Obama e Oprah, representam grandes mulheres que fizeram história e que agora fazem parte dos registros. E, por isso, nesta edição, o Jornal O Alto Paraopeba, relembra a trajetória de Mary Jane Bethune, educadora que abriu caminhos para gerações de mulheres negras nos Estados Unidos e no mundo.

Mary Jane McLeod Bethune
a mulher que transformou livros em liberdade

Em um tempo em que o racismo ditava o que uma menina negra podia ou não fazer, Mary Jane McLeod Bethune ousou sonhar com um futuro diferente.

Filha de pais escravizados e a 15ª de 17 irmãos, ela ouviu uma frase que mudaria o rumo da sua vida: “Você é negra. Os negros não sabem ler.” Em vez de se calar, decidiu provar o contrário e transformou aquela ferida em missão.

Imagine essa cena: essa menina negra, aos 12 anos, entrou na casa onde sua mãe lavava roupa. Viu uma biblioteca e, curiosa, pegou um livro nas suas mãos. Então, a filha do dono a parou com essa frase, que mudou o rumo da sua vida.

Educação como ato de resistência
Nascida em 1875, na Carolina do Sul, Mary caminhava 16 quilômetros por dia para frequentar uma pequena escola para crianças negras. Aprendeu a ler e, logo depois, começou a ensinar sua família, os vizinhos e os trabalhadores rurais da região.

A alfabetização era um ato de liberdade. Sua determinação a levou a conquistar uma bolsa de estudos e a se tornar professora. E percebeu que sua missão ultrapassava as paredes da sala de aula.

Fundou uma escola particular para meninas negras em Daytona Beach, na Flórida, que mais tarde se tornaria a Universidade Bethune-Cookman. Levava seus alunos para tirar documentos, conhecer sua história e ocupar os espaços que lhes eram negados.

Da sala de aula à Casa Branca
Mary Bethune acreditava que o conhecimento era uma forma de poder e que a luta contra o racismo começava pela educação. Ganhou respeito nacional e foi nomeada conselheira do presidente Franklin D. Roosevelt em assuntos raciais.

Esse foi um feito inédito para uma mulher negra. Bethune também fundou organizações, escreveu manifestos e pressionou o Senado americano por igualdade de direitos. Conhecida como “Primeira Dama da Luta”, inspirou toda uma geração que viria depois dela.

Ela ensinou a ler a mais de cinco mil pessoas e seu verdadeiro legado está na consciência e na coragem que despertou em milhares de jovens e mulheres negras.

Legado atravessa o tempo
Mary McLeod Bethune morreu em 1955, o mesmo ano em que Rosa Parks se recusou a ceder seu lugar em um ônibus segregado. Não chegou a ver aquele ato, mas foi uma das mulheres que o tornou possível.

Neste Mês da Consciência Negra, lembrar sua história é lembrar que a luta contra o racismo também se faz com lápis, livros e dignidade. Porque o poder de uma mulher que transforma o conhecimento em liberdade é mais forte do que qualquer lei de segregação.

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