Arte secular é transmitida por geração e tem apenas dois mestres em atividade no Brasil
Há 30 anos, Leonardo Ricart molda, queima e transforma a argila da região em peças coloridas e com características particulares. São peças brilhantes, com cores que variam do amarelo e podem ir até o verde, arroxeados e até um vinho. A Cerâmica Saramenha tem uma história que remonta a mais de 200 anos no Brasil. Sua a técnica, considerada milenar, atravessa gerações mantendo viva uma das expressões artesanais mais significativas da região.
Leonardo é um dos dois Mestres em atividade que mantém a história dessa arte. Ele mora em Ouro Branco e faz parte da iniciativa de preservação cultural e resgate da cerâmica Saramenha. Ele leva às escolas e à comunidade a palestra “Resgatando a História que Vem da Terra”. Em março, no auditório Fernando de Oliveira Silva, ele detalhou o ciclo de produção, desde a extração da matéria-prima, encontrada exclusivamente na região de Ouro Branco, até a moldagem final das peças.
Patrimônio de Ouro Branco
Reconhecida como patrimônio imaterial do município, a cerâmica Saramenha representa não apenas um legado histórico, mas também um símbolo de identidade para os moradores. Os ourobranquenses têm o privilégio de serem detentores desse saber, que carrega em sua essência a memória e a tradição de seus antepassados.
A iniciativa faz parte de um projeto de preservação do patrimônio imaterial do município, viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura e com patrocínio da Gerdau, que já levou palestras e oficinas a mais de 20 instituições de ensino públicas e privadas.
Durante o encontro, que contou com tradução em Libras por Milene Cristina Barbosa Silva, foram sorteados dez livros sobre a história da técnica e cinco vagas para um curso prático de cerâmica. Os selecionados terão acesso a tornos individuais para o aprendizado da modelagem, garantindo a continuidade de um saber que remonta a mais de 200 anos de tradição regional.







